Exit

Chegou o natal e com isso o início do frenesi anual pelas compras e o corre corre em busca da melhor oferta ou presente. Caminhar pelos principais centros é uma aventura à altura de quem gosta de adrenalina, já que são inúmeras pessoas nesta aglomeração em busca do tão desejado presente.

Nada diferente do que ocorre anualmente, porém neste ano fomos marcados  pela crise financeira, o que levou certos consumidores a buscar alternativas em locais menos chiques. Logistas já prevendo este acontecimento antecederam suas ofertas e proporcionaram ao consumidor vantagens e um mix diversificado e de preço acessível, na tentativa de não encalhar estoque e ter que engolir mais este prejuízo.

Neste final de ano, o comércio reduziu seus custos e cortou parte dos custos com  contratações, tornando o quadro mais enxuto, assim como também seus estoques. Essa redução de quadro funcional é uma novidade já que diferente dos demais anos quando as contratações eram alavancadas pela expectativa de números consistentes e compatíveis com o período.

Em meio à crise política e financeira o Brasil conta hoje com mais de 12 milhões de desempregados – muitos destes já atuando na informalidade – mas ainda assim a expectativa nas vendas de final de ano não é das mais promissoras e algumas redes de supermercados apostam em produtos de segunda linha, que estão sendo alvo desta fatia de consumidores, que mesmo em meio à crise, esforçam-se para que o desânimo não deixe de lado o clima natalino.

Se fosse possível realizar uma enquete com o Papai Noel, certamente o número de pedidos de emprego bateriam todos os recordes como presente de natal neste ano. Hoje, milhares de famílias amargam o sentimento de perda, de frustração e desesperança em um país que outrora fora motivo de orgulho.

Vivemos hoje uma situação anômala, na qual quem encontra-se desempregado sonha com uma nova oportunidade e quem ainda tem um emprego, reza para receber seu salário em dia ou não ser demitido. Seja pela falência das empresas ou pela extinção de órgão públicos.

O natal este ano me parece algo insípido e sem graça, pois não é lógico comemorar algo em meio a tantos acontecimentos negativos.  E a questão  não é com relação a sentimento de pessimismo descrença na fé alheia, mas de pura realidade. Não estamos em condições de festejar qualquer coisa e para ter esta noção, basta parar e pensar sobre o que tem acontecido à nossa volta nos últimos tempos.

Quantas famílias chorarão hoje pela morte de entes queridos, perdidos pela violência da guerra entre facções que mata inocentes diariamente?

Quantos sentirão prazer em sair às ruas neste natal sabendo que a violência desenfreada pode levar à morte qualquer cidadão pelo simples fato de ser um trabalhador honesto e ter dado duro para adquirir um bem, que pode lhe custar a vida?

Quantos policiais e seus familiares sentirão prazer em saber que neste natal, sua comemoração será estar vivo, pois salário tornou-se artigo de luxo e que sua atuação é realmente por amor a farda?

Quantos servidores públicos hoje contam com a alegria de poder comemorar mais um natal, sabendo que receberão seus décimos terceiros sabe Deus quando?

A sorte está lançada e com base nessas perguntas me faço o seguinte questionamento:

Feliz natal? Para quem?

Marco Ribeiro

Marco Ribeiro

Ainda que não goste de rótulos, pois penso que estes foram feitos para garrafas de cerveja, aceitei a alcunha de geek, por conta de minha paixão por tecnologia.
Sou Jornalista, escritor, designer gráfico e ex programador web.
Nas horas vagas me divirto tocando guitarra, cuidando de meus bonsais, pedalando por aí ou curtindo um chimarrão com a esposa.
Tenho opiniões firmes, temperamento calmo e assertivo, porém jamais recuo diante de um desafio. Dou um boi para não entrar, mas...

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